sábado, 19 de dezembro de 2009

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

(Elisa Lucinda)




terça-feira, 15 de dezembro de 2009




Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... ]
[ nada muda
A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade ]
[ no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vendeu-os por açúcar
Prendas de quermesse
A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto
O farol fecha...
Outras flores e carros surgem em meu retrovisor
Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas



(Fernando Anitelli)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009



Ah! imagina só que loucura essa mistura
Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia
De Todos os Santos, encantos e Axé, sagrado e profano, o Baiano é carnaval
Do corredor da história, Vitória, Lapinha, Caminho de Areia
Pelas vias, pelas veias, escorre o sangue e o vinho, pelo mangue,Pelourinho
A pé ou de caminhão não pode faltar a fé, o carnaval vai passar
Da Sé ao Campo-Grande somos os Filhos de Gandhi, de Dodô e Osmar
Por isso chame, chame, chame, chame gente
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta
É um verdadeiro enxame, chame chame gente
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta
Ah!...a praça e o poeta.
(Moraes Moreira)


Apesar de ser na noite e não ser muito fã de calor, me entrego aos encantos do verão, ainda mais na Bahia... O verão está apenas começando mas os ares já estão mudando, o povo fica mais alegre, mais bonito e mais encantador..então que venha o verão e com ele todas as festas que a Bahia nos proporciona, assim....bem sagrado e profano e que termine com um carnaval maravilhoso, afinal, estou em Salvador e aqui, só com óculos escuro agora...rs

domingo, 6 de dezembro de 2009




Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer.
Deixar que os olhos vejam pequenos detalhes lentamente.
Deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos, pra lhe servir quando for preciso, e nunca lhe causar danos morais, físicos ou psicológicos.



(Chico Science)




Pensando nos últimos fatos acontecidos, creio que por agora, o melhor é viver... viver esses últimos dias do ano, viver esse verão que aponta por aí, viver a noite que me guarda surpresas... Confesso que em certos momentos, gostaria de está vivendo algumas coisas ao seu lado mas vejo que esse lance que estamos nos proporcionando, não vai fazer bem para um dos dois ou até mesmo para os dois... Então devo dizer que foi bom enquanto durou? Ou devo viver esse friozinho na barriga? Ou mesmo ser sincera com meus sentimentos e falar de fato o que eu penso e o que eu quero, porque até agora, eu mais ouvi que falei.
Acredito que depois dessas palavras, as coisas irão tomar um rumo, qual eu não sei, mas já imagino, mas não peçam para apostar, sou péssima nisso!
Acredito sim no natural, mas penso também que um empurrão nosso ajuda e muito, por isso, não sei se pela última vez, mas gostaria de ter um momento de alma, de entrega sincera e absoluta... Um momento de carinho... um momento com sabor de quero mais....

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009





Cada um vive como pode
E eu nasci pra sofrer
Cara feia pra mim é fome
Eu não faço manha pra comer não!


A vida é como uma escola
E a morte é um vestibular
No inferno eu entro sem cola
Mas o céu eu vou ter que descolar


Mas quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta!


No fundo eu sou otimista
Mas sempre imagino o pior
Me cansa essa vida de artista
Mas cada vez o prazer é maior


Mas quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta!


(Rita Lee)





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009





Se eu fosse embora agora será que você entenderia
que há um tempo certo
para tudo
cedo ou tarde chega o dia

Se eu fosse sem dizer palavra será que você escutaria
o silêncio me dizendo que a culpa não foi sua

É que eu nasci com o pé na estrada com a cabeça lá na lua
Não vou ficar, não vou ficar, fiz bandeira desses trapos devorei concreto e asfalto
fiz bandeira desses trapos devorei concreto e asfalto

Tenho feito meu caminho
volta e meia fico só, reconheço meus defeitos
e o efeito dominó,

Mas se eu ficasse ao seu lado de nada adiantaria
se eu fosse um cara diferente sabe lá como eu seria

Não vou ficar, não vou ficar, fiz bandera desses trapos devorei concreto e asfalto
fiz bandeira desses trapos devorei concreto e asfalto

Fiz o meu caminho devorei concreto e asfalto,
fiz o meu caminho devorei concreto e asfalto.

(Humberto Gessinger)

domingo, 29 de novembro de 2009




O problema é que eu não consigo mais sofrer, acho tudo bonito! Eu estava chorando, abraçada ao travesseiro, eu estava quase conseguindo! Mas, de repente, fui tomada de uma alegria doida e fiquei me perguntando: por que a gente se despede com tanta tristeza, quando todo encontro é sempre tão bonito? Não deveríamos fazer uma festa? Marcar um dia especial para terminar o namoro e fazer esfihas, salgadinhos, sucos de cajá e kiwi com hortelã, assoprar balões coloridos, dançar até cair, cantar até perder a voz, dançar e cantar todas as músicas que cantamos um para o outro, abraçar até cansar, rir de todas as brigas, rir mesmo, até a barriga doer, celebrar o que um deixou no outro? E o que os dois deixaram no mundo? Distribuir os velhos presentes a quem se sente mais sozinho do que a gente? Terminar com o mesmo cuidado de um primeiro encontro? Eu fiquei pensando nisso, que parecia meio doido, mas bem menos doido do que chorar ou sofrer por algo que foi tão bonito...
Rita Apoena



Resolvi me despedi do meu passado amoroso... Está aberta a conhecer pessoas diferentes, lugares diferentes... Pronto, meu coração está aberto agora, estou livre e quero viver isso agora, quem quiser, venha comigo e vamos explorar esse mundo que me aguarda e feliz porque percebi que sofrer não adianta nada, então que venha as férias o ano novo e um novo amor, porque isso é viver!


sexta-feira, 27 de novembro de 2009






Nos últimos dias ando sentindo necessidade de explodir... não com brigas, mas com energia...preciso gastar a energia que acumula dentro de mim... Preciso colocar isso pra fora de alguma forma...

Me sinto muito só também, sem ter com quem conversar, longe de minha família e meus amigos.. Estou numa cidade estranha, onde todos já tem suas vidas e nelas, não existe espaço pra mim...

domingo, 22 de novembro de 2009

Uma noite mágica....




Já sonhei nossa roda gigante esconde-esconde em você
Já avisei todo ser da noite que eu vou cuidar de você
Vou contar histórias dos dias depois de amanhã
Vou guardar tuas cores, tua primeira blusa de lã

Menina vou te guardar comigo
Menina vou te guardar comigo

Teu sorriso eu vou deixar na estante para eu ter um dia melhor
Tua água eu vou buscar na fonte teu passo eu já sei de cor
Sei nosso primeiro abraço, sei nossa primeira dor
Sei tua manhã mais bonita, nossa casinha de cobertor

Menina vou te casar comigo
Menina vou te casar comigo...Vou te guardar comigo

Sou teu gesto lindo
Sou teus pés
Sou quem olha você dormindo

Ô menina guardo você comigo
Menina guardo você comigo

Nosso canto será o mais bonito Mi Fá Sol Lápis de cor
Nossa pausa será o nosso grito que a natureza mostrou
A gente é tão pequeno, gigante no coração
Quando a noite traz sereno a gente dorme num só colchão

Menina vou te sonhar comigo
Menina vou te sonhar comigo

Sou teu gesto lindo
Sou teus pés
Sou quem olha você dormindo

Ô Menina guardo você comigo
Menina guardo você comigo

(Fernando Anitelli)
Uma noite emocionante e poética....um dos meus sonhos realizados! Um ano de pura emoção e magia, porque depois de QUIDAM, só o T.M. mesmo para me fazer feliz!
Beijos e a todos!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

É tarde até que arde...




"... A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma..."


"Meu Deus! Meu Deus! Como tudo é esquisito hoje. E ontem era tudo exatamente como de costume! Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando eu levantei hoje de manhã? Eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: Quem é que eu sou? Ah, essa é a grande charada."


''Concordo inteiramente com você - disse a Duquesa. - E a moral disso é: 'Seja o que você pareceria ser'. Ou se você preferir isso dito de uma maneira mais simples: 'Nunca se imagine como não sendo outra coisa do que aquilo que poderia parecer aos outros que aquilo que você foi ou poderia ter sido não fosse outra coisa do que o que você poderia ter sido parecia a eles ser outra coisa'.

-Acho que eu poderia entender isso melhor - disse Alice de maneira muito educada - se estivesse tudo escrito. Mas, desse jeito, eu não consigo entender o que você quer dizer.''



''Quando eu uso uma palavra - disse Humpty Dumpty num tom escarninho - ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique ... nem mais nem menos.
- A questão - ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.
- A questão - replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso.''



(Alice no País da Maravilha)

domingo, 15 de novembro de 2009




O rei da brincadeira
Ê, José!
O rei da confusão
Ê, João!
Um trabalhava na feira
Ê, José!
Outro na construção
Ê, João!...

A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá lá
Pra Ribeira, foi namorar...

O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio...

Foi no parque
Que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu
Foi que ele viu Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João...

O espinho da rosa feriu Zé
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Foi dançando no peito
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...

O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Oi girando na mente
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...

Juliana girando
Oi girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
O amigo João...

O sorvete é morango
É vermelho!
Oi, girando e a rosa
É vermelha!
Oi girando, girando
É vermelha!
Oi, girando, girando...

Olha a faca!
Olha o sangue na mão
Ê, José!
Juliana no chão
Ê, José!
Outro corpo caído
Ê, José!
Seu amigo João
Ê, José!...

Amanhã não tem feira
Ê, José!
Não tem mais construção
Ê, João!
Não tem mais brincadeira
Ê, José!
Não tem mais confusão
Ê, João!...

(Gilberto Gil)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ai que saudade.....





Da galinha faço a canja,
Da mandioca faço o caldo.
Na Lapa, tudo se arranja
Na casa do seu Geraldo.
                                (Prof. Sinésio)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A caminho do Sertão....do meu Oeste...



Vida de viajante

Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei
Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro, mais uma estação
E alegria no coração
(...)
Mar e terra, inverno e verão
Mostro o sorriso
Mostro alegria, mas eu mesmo não
E a saudade no coração
Minha vida é andar por esse país...

(Luiz Gonzaga)

sábado, 24 de outubro de 2009

Em contagem regressiva...












Mascarado


Rostos de papel na parada

Mascarado
Esconda seu rosto, então o mundo nunca o encontrará!

Mascarado
Cada rosto uma máscara diferente...
Mascarado
Olhe em volta
Há outra máscara atrás de você!

Tons de mauva... pingos de castanho...
Bobo e rei ... vampiro e ganso...
Verde e preto ... rainha e padre...
Listras e vermelho... rosto de besta...
Rostos...
Pegue o seu de volta, faça um passeio em volta
Em uma raça inumana...
Olho de ouro... coxa azul...
Verdadeiro é falso... quem é quem?
Forma do lábio ... barra do vestido
Às de corações... rosto de palhaço...
Rostos...
Beba, beba mais, até você se afogar
Na luz 

No som
Todos



Mascarado!
Amarelos sorridentes, vermelhos vibrantes...
Mascarado!
Satisfaça-se
Deixe o espetáculo encantar você!
Mascarado!
Clarões de chamas, cabeças girando
Mascarado!
Pare e veja o mar de sorrisos ao seu redor!
Mascarado!
Fazendo sombras, respirando mentiras...
Mascarado!
Você pode enganar qualquer amigo que o conheça!
Mascarado!
Olhares satíricos, olhos à espreita...
Mascarado!
Corra e se esconda –
Mas um rosto ainda irá perseguí-lo






Deixe o espetáculo encantar você...
(O Fantasma da Ópera)







quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Faça um pedido que eu vou realizar...




Gostar de ver você sorrir
Gastar das horas pra te ver dormir
Enquanto o mundo roda em vão
Eu tomo o tempo
O velho gasta solidão
Em meio aos pombos na Praça da Sé
O pôr do Sol invade o chão do apartamento

Vermelhos são seus beijos
Que meigos são seus olhos
Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego

Vermelhos são seus beijos
Quase que me queimam
Que meigo são seus olhos
Lânguida face
Seus beijos são vermelhos
Quase que me queimam
Que meigos são seus olhos
Lânguida face

(Vanessa da Mata)
...Eu sou o Pecado Capital...





http://www.youtube.com/watch?v=sRXmytSqVcE

segunda-feira, 19 de outubro de 2009



VIVER DESPENTEADA


Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…

- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…

Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora. O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique seria…
E talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita…
A pessoa mais bonita que posso ser!
O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.

Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:
Entregue-se, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace, dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, Corra, Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável. Admire a paisagem, aproveite e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!

O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...

autor/a desconhecido/a

sábado, 3 de outubro de 2009


Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta

Clarice Lispector

domingo, 27 de setembro de 2009












Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!



Martha Medeiros

terça-feira, 2 de junho de 2009




O arrepio é quando,
por serem tão leves,
seus dedos conseguem,
em cada um dos meus poros:
soerguer uma flor. 

(Rita Apoena)

domingo, 31 de maio de 2009

Prece Irlandesa




Que o caminho seja brando a teus pés,
O vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
As chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
que os Deuses te guardem nas palmas de Suas mãos

Que a estrada abra à sua frente,
que o vento sopre levemente em suas costas,
que o sol brilhe morno em e suave em sua face,
que a chuva caia de mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo...
Que os Deuses guardem, você na palma das suas mãos.

Que as gotas da chuva molhem suavemente o seu rosto,
que o vento suave refresque seu espírito,
que o sol ilumine seu coração,
que as tarefas do dia não sejam um peso nos seus ombros,
e que Deus envolva você no seu manto de amor.





sábado, 30 de maio de 2009

Real e Virtual



Eu tenho dois mundos,
Dois universos,
Portanto, duas vidas:
Logo eu sou plural!
Dizem que só uma existe
Porque é Real;
A outra inexiste
Porque é Virtual.
No primeiro mundo
Eu nunca fui feliz
 “No outro também não és” ·

(É o que todo mundo diz),
 “Como queres estar bem no nada?"
"Como podes querer o que não é?"
Então eu perguntei ao dia:
O que é a noite, ela é real?
"É isso o que ela diz? Coitada!
Sem mim a noite é uma piada!"
Então eu perguntei à noite:
O que é o dia, ele é real?
"Qual nada!
O dia não passa.

De uma noite virtual!"
Depois eu perguntei ao ar:
O que é o vento?
"O vento não existe!
O que chamam de vento,
Sou eu mesmo em movimento".
Aí eu perguntei à Musa
O que é a Poesia?
"Apenas um fantasma que me usa;
Não passa de utopia!"
Perdão, divina Musa
O que é então a Arte?
"Outra ‘entidade’ virtual
Que nem de mim faz parte!"
Divina Arte, linda Poesia,
Podeis dizer-me o que é a Musa?

"Nada! A Musa não existe,

Não é Real”

Se não existe o vento,
Se não existe a noite,
Se não existe o dia,
Se não existe a Arte,

Nem mesmo a Poesia;

Se a deusa Musa não passa
De uma ilusão a mais
Deixai-me viver virtualmente;

Quem sabe só assim eu terei paz.

 

Raymundo Silveira