
seus dedos conseguem,
em cada um dos meus poros:
soerguer uma flor.
Dizem que só uma existe Porque é Real; A outra inexiste Porque é Virtual...


Eu tenho dois mundos,
Dois universos,
Portanto, duas vidas:
Logo eu sou plural!
Dizem que só uma existe
Porque é Real;
A outra inexiste
Porque é Virtual.
No primeiro mundo
Eu nunca fui feliz
“No outro também não és” ·
(É o que todo mundo diz),
“Como queres estar bem no nada?"
"Como podes querer o que não é?"
Então eu perguntei ao dia:
O que é a noite, ela é real?
"É isso o que ela diz? Coitada!
Sem mim a noite é uma piada!"
Então eu perguntei à noite:
O que é o dia, ele é real?
"Qual nada!
O dia não passa.
De uma noite virtual!"
Depois eu perguntei ao ar:
O que é o vento?
"O vento não existe!
O que chamam de vento,
Sou eu mesmo em movimento".
Aí eu perguntei à Musa
O que é a Poesia?
"Apenas um fantasma que me usa;
Não passa de utopia!"
Perdão, divina Musa
O que é então a Arte?
"Outra ‘entidade’ virtual
Que nem de mim faz parte!"
Divina Arte, linda Poesia,
Podeis dizer-me o que é a Musa?
"Nada! A Musa não existe,
Não é Real”
Se não existe o vento,
Se não existe a noite,
Se não existe o dia,
Se não existe a Arte,
Nem mesmo a Poesia;
Se a deusa Musa não passa
De uma ilusão a mais
Deixai-me viver virtualmente;
Quem sabe só assim eu terei paz.
Raymundo Silveira