domingo, 27 de setembro de 2009












Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!



Martha Medeiros

terça-feira, 2 de junho de 2009




O arrepio é quando,
por serem tão leves,
seus dedos conseguem,
em cada um dos meus poros:
soerguer uma flor. 

(Rita Apoena)

domingo, 31 de maio de 2009

Prece Irlandesa




Que o caminho seja brando a teus pés,
O vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
As chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
que os Deuses te guardem nas palmas de Suas mãos

Que a estrada abra à sua frente,
que o vento sopre levemente em suas costas,
que o sol brilhe morno em e suave em sua face,
que a chuva caia de mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo...
Que os Deuses guardem, você na palma das suas mãos.

Que as gotas da chuva molhem suavemente o seu rosto,
que o vento suave refresque seu espírito,
que o sol ilumine seu coração,
que as tarefas do dia não sejam um peso nos seus ombros,
e que Deus envolva você no seu manto de amor.





sábado, 30 de maio de 2009

Real e Virtual



Eu tenho dois mundos,
Dois universos,
Portanto, duas vidas:
Logo eu sou plural!
Dizem que só uma existe
Porque é Real;
A outra inexiste
Porque é Virtual.
No primeiro mundo
Eu nunca fui feliz
 “No outro também não és” ·

(É o que todo mundo diz),
 “Como queres estar bem no nada?"
"Como podes querer o que não é?"
Então eu perguntei ao dia:
O que é a noite, ela é real?
"É isso o que ela diz? Coitada!
Sem mim a noite é uma piada!"
Então eu perguntei à noite:
O que é o dia, ele é real?
"Qual nada!
O dia não passa.

De uma noite virtual!"
Depois eu perguntei ao ar:
O que é o vento?
"O vento não existe!
O que chamam de vento,
Sou eu mesmo em movimento".
Aí eu perguntei à Musa
O que é a Poesia?
"Apenas um fantasma que me usa;
Não passa de utopia!"
Perdão, divina Musa
O que é então a Arte?
"Outra ‘entidade’ virtual
Que nem de mim faz parte!"
Divina Arte, linda Poesia,
Podeis dizer-me o que é a Musa?

"Nada! A Musa não existe,

Não é Real”

Se não existe o vento,
Se não existe a noite,
Se não existe o dia,
Se não existe a Arte,

Nem mesmo a Poesia;

Se a deusa Musa não passa
De uma ilusão a mais
Deixai-me viver virtualmente;

Quem sabe só assim eu terei paz.

 

Raymundo Silveira